A depilação em si é uma questão de estética individual que sempre gera muito debate nas redes sociais. O assunto ganhou ainda mais destaque na web depois que uma clínica anunciou que oferece esse serviço também para crianças – sugerindo uma rotina de depilação para um público inferior a 10 anos.

Uma usuária do Twitter compartilhou a foto de duas depiladoras “kids”, da clínica de estética By Pello, de Goiânia (GO), o que levantou o debate da depilação não ser uma escolha propriamente da criança, mas, sim, um padrão imposto pela sociedade.

O tweet recebeu mais de 700 comentários de pessoas indignadas, afirmando que a venda de pacotes de depilação infantil só reforça um “ideal” de beleza feminino, e que o procedimento pode ser prejudicial para crianças tão novas.

Mas, as criticas não foram unanimidade e uma outra parcela de usuários afirmou que concorda com a demanda de depilação em crianças. “Eu tinha excesso de pêlos na infância e comecei a fazer [depilação] aos oito anos para evitar o bullying na escola”, disse uma internauta na postagem.

A versão da empresa

Em entrevista ao site da Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, a empresária goiana que tem um clinica de estética, disse “que o serviço já era feito há anos, por demanda das próprias mães que são clientes da casa.”

Outra inspiração também partiu da própria filha de nove anos, que pediu para remover o buço e foi a partir dai que ela percebeu a possibilidade de negócio. O investimento, conforme divulgado pela reportagem, foi de R$ 5 mil gastos em treinamento, uniformes e outros itens básicos.

Ela frisou que tudo é feito com muito cuidado e calma com a criança. Também reforçou que, diferente do que foi propagando na internet, o serviço não abrange depilação íntima, apenas buço, axilas e outras partes específicas do corpo. Apesar das críticas, empresária assegura: “Existe esse público, existe a demanda e alguém vai atender. Por que não eu?”relatou ela ao site PEGN.

O que dizem os especialistas

Para a dermatologista Gabriela Capareli, não existe idade ideal para a depilação. O que deve ser levado em conta, na sua visão, é a necessidade individual, relatou ela em entrevista ao site Metrópole.

Se o excesso de pelo incomoda o jovem, levando, inclusive, a um constrangimento social, o benefício de se depilar é maior que o de não depilar, afirma ela

Ao Metrópole a pediatra Pamella Demeciano relatou que, “quando o jovem se sente mal por conta do excesso de pelos, entre outras partes do corpo, a primeira atitude dos pais deve ser consultar um médico especialista no assunto, que pode ser um endocrinologista ou clínico voltado para essa faixa etária.”

“Eles devem levar em consideração a vontade do adolescente”, orienta a profissional, salientando a relação de diálogo e confiança entre a criança e os responsáveis. “Quando o assunto surgir com os colegas da escola, por exemplo, não haverá oportunidade para a violência verbal”, explica.

Perguntada sobre o assunto pelo UOL, a pediatra Lilian Cristina Moreira, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria informou :”A depilação em crianças se justifica apenas em situações na qual os pelos crescem em grande quantidade, gerando baixa auto-estima e problemas psicológicos, e não só por desejo da criança ou dos pais”, diz.

Segundo ela, é preciso ter cuidado para utilizar lâminas, ceras ou lasers que prejudiquem a pele -que é mais frágil e está em transformação. A especialista acrescenta que há risco de apressar a criança a entrar no mundo adulto do consumo e também acreditar que os pelos são sujos ou anti-higiênicos. “A dica é usar bom senso em cada caso.” finalizou

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