PK Mahanandia viajou pelos continentes para se reunir com seu amor e agora eles estão prestes a celebrar 43 anos de casamento.

O artista indiano PK Mahanandia conheceu a turista Charlotte Von Schedvin em uma tarde de inverno de 1975, em Nova Déli, quando ela pediu-lhe que desenhasse o seu retrato. Foi aí que começou uma história de amor que culminaria com uma épica jornada de bicicleta da Índia à Europa.

Charlotte visitava a Índia quando viu Mahanandia no distrito de Connaught Place, na capital indiana.

Ele era um jovem artista, mas já bem conhecido por seus retratos.

couple - Ele era um Dálit indiano, ela uma nobre sueca, ele pedalou da Índia à Suécia por amor

Curiosa com a promessa do artista de “fazer um retrato em 10 minutos”, ela resolveu experimentar, mas não ficou impressionada com o resultado e voltou no dia seguinte.

Novamente, o resultado não foi satisfatório.

Em sua defesa, Mahanandia diz que estava preocupado com uma previsão que sua mãe fizera vários anos antes.

Ele cresceu em uma aldeia no Estado de Orissa, no leste da Índia, onde enfrentou discriminação pelos estudantes de castas superiores porque era um dálit, ou “intocável”, a casta mais inferior da sociedade segundo o hinduísmo, principal religião do país.

Sempre que ele ficava triste, a mãe dizia que, segundo o horóscopo, um dia ele se casaria com uma mulher “do signo de Touro, vinda de uma terra distante, musical e que será dona de uma floresta”.

Amor à primeira vista

Quando conheceu Charlotte, imediatamente lembrou-se das previsões da mãe e perguntou se a sueca era proprietária de uma floresta.

Charlotte Von Schedvin, de uma família da nobreza sueca, respondeu que tinha uma floresta e acrescentou que além de ser “musical” (gostava de tocar piano), seu signo era de Touro.

“Tinha uma voz dentro de mim que dizia que ela era a predestinada”, disse Mahanandia à BBC. “Nesse primeiro encontro, fomos atraídos um pelo outro como ímãs. Foi amor à primeira vista.”

“Ainda não sei o que me fez perguntar aquilo e depois convidá-la para um chá. Pensei que ela ia dar queixa na polícia”, continua.

Mas a reação da moça não foi bem assim.”Achei que ele era honesto e quis saber por que tinha feito aquelas perguntas”, lembra ela.

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Depois de várias conversas, ela aceitou ir até Orissa com ele.Ali, Mahanandia levou-a para conhecer um famoso monumento local, o templo Konark, dedicado ao sol e listado como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

“Fiquei comovida quando PK me mostrou o Konark. Eu lembrava daquela imagem do templo de pedra em um quadro no meu quarto de estudante, em Londres, mas não tinha ideia de onde ficava. E lá estava eu, diante dele.”

Os dois se apaixonaram e, depois de passarem alguns dias no vilarejo dele, retornaram a Nova Déli.

 

Que tal trabalhar no conforto do seu lar   - Ele era um Dálit indiano, ela uma nobre sueca, ele pedalou da Índia à Suécia por amor

A separação

No entanto, Charlotte teve que voltar para a Suécia e PK queria terminar seus estudos. Então, eles foram forçados a se separar. “Quando ela se ofereceu para enviar passagens aéreas mais tarde, ele se recusou, dizendo que iria encontrá-la sozinho.

Depois que ela voltou para Suécia os dois mantiveram contato por meio de cartas.

Decidido a pagar suas próprias despesas, três anos depois, após completar seus estudos, PK vendeu todos os seus bens, comprou uma bicicleta de segunda mão e partiu em uma jornada épica que cobriria oito países.

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Ele pedalou pelo Afeganistão, Irã, Turquia, Bulgária, Iugoslávia, Alemanha, Áustria e Dinamarca, sobrevivendo por dias sem comida, muitas vezes tendo que parar para consertar furos no caminho.

“A arte me salvou. Fiz retratos de pessoas e algumas me deram dinheiro, outras, comida e abrigo”, relembra.

Mahanandia lembra que o mundo era muito diferente em 1970. Por exemplo, ele não precisava de visto para passar por vários países.

O Reencontro

Ele chegou à Europa no dia 28 de maio, mais de cinco meses após partir de Nova Déli. Em Viena, na Áustria, ele pegou um trem para Gotemburgo, na Suécia, depois de pedalar por mais de 5,5 mil km.

Depois de vários choques culturais e dificuldades em impressionar os pais de Charlotte, os dois finalmente se casaram na Suécia.

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“Eu não tinha ideia do que era a cultura europeia. Era tudo novo para mim, mas ela me apoiou em cada passo. Ela é uma pessoa especial. Ainda sou apaixonado como era em 1975”, diz.

Aos 64 anos, Mahanandia vive com Charlotte e os dois filhos do casal na Suécia, onde continua trabalhando como artista.

Mas ele ainda não entende “por que as pessoas acham que foi uma grande coisa vir de bicicleta para a Europa”.

“Eu fiz o que tinha de fazer. Não tinha dinheiro, mas tinha que encontrá-la. Eu estava pedalando por amor, mas nunca amei pedalar. É simples.”


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