O leite e seus derivados são alimentos conhecidos por boa parte dos humanos, especialmente no ocidente. Quase todos que os consomem os idolatram. A alvura do leite evoca pureza, limpeza, saúde, desejáveis em qualquer alimento.

Mas essa ilusão de pureza e saúde desaparece assim que o universo galactômano e galactocrata é descortinado, uma ação levada a efeito pela autora Sônia Felipe ao longo de dez anos de pesquisa, entre 2002 e 2012.

“Galactolatria: mau deleite” era o livro que faltava para alertar os consumidores a conhecerem melhor o leite que ingerem e a realidade da vida das vacas das quais ele é extraído.

Nenhum governante ou médico é diretamente responsável pelas doenças que afligem as pessoas por conta do que elas colocam em seu prato. Decisões dietéticas são de foro íntimo.

Entretanto, se o consumidor ignora a real natureza dos alimentos que ingere, suas escolhas não são sábias, são cegas. Dessas, não pode resultar boa saúde.

Galactolatria: mau deleite é um livro de filosofia crítica, dedicado a transmitir ao consumidor dados e informações sobre o sistema de extração do leite. Aqui, a leitora e o leitor encontram informações de fontes médicas e especializadas contrárias ao consumo de leite bovino por seres humanos. Este livro revoluciona a concepção de responsabilidade pela própria saúde, a dos animais e a ambiental.

Uma leitura para todas as famílias: de veganos, vegetarianos, ambientalistas, intolerantes à lactose, alérgicos às proteínas do leite, professores, nutricionistas, médicos, nutrólogos e todos os profissionais que orientam aqueles que precisam redirecionar seus hábitos alimentares.

“O leite materno é o sangue branco que a mãe fornece para o filho, até a chegada da arcada dentária”, afirma a autora, na defesa das fêmeas de todas as espécies.

Resenha

Nos dez anos de pesquisa, a autora leu centenas de autores em inglês e baseou a pesquisa em dados científicos e em documentos de órgãos federais ligados à nutrição.

O capítulo 1, Galactoética – Informa sobre o sofrimento animal e devastação ambiental, fala do sofrimento das vacas usadas para a extração de leite e dos filhotes delas, separados de suas mães assim que nascem porque o leite não é para eles, é para os humanos.

Caso nasça um macho, ele será confinado num ambiente escuro à base de uma dieta pobre em ferro para que desenvolva anemia e sua carne seja macia, a conhecida e carne de “vitela”. As vacas desenvolvem mastite, dolorosa inflamação das glândulas mamárias em virtude do método mecânico de extração de leite, e laminite, doença vascular no interior da pata, o que causa muita dor.

A laminite é decorrência do tipo de piso onde as vacas são criadas, que não tem a menor semelhança com o solo natural onde estariam, caso vivessem livres. As vacas vivem confinadas, comem um preparado artificial que as faz engordar no menor tempo possível, têm sucessivas crias para dar leite e assim até o fim das suas vidas, momento em que estarão tão fracas e exauridas que não servirão mais para dar leite e, então, serão abatidas para o aproveitamento de suas carnes.

O capítulo 2, Galactopoiese – Do leite bom ao leite ruim há reflexões sobre os ingredientes não naturais do leite e dos laticínios, resultantes da interferência humana na dieta das vacas. A filósofa mostra pesquisas científicas com evidências de que o leite de vaca faz mal para a saúde dos bebês. O leite de uma espécie serve para os bebês daquela espécie.

Quando termina a infância dos mamíferos, eles deixam de produzir a lactase, a enzima responsável por quebrar a lactose do leite e derivados. Os humanos deixam de produzir a lactase por volta dos quatro anos, o que significa que, agora, o organismo pode obter os nutrientes do leite materno no reino vegetal, ou seja, a natureza previu o desmame para todas as espécies de mamíferos, e o ser humano é a única espécie que não entendeu.

A autora

Sônia Teresinha Felipe é uma doutora em filosofia moral e teoria política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, professora aposentada da graduação e pós-graduação em filosofia, e do doutorado interdisciplinar em ciências humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, orientou dissertações e teses nas áreas de teorias da justiça, ética animal e ética ambiental.

Pesquisadora permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, autora de Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas, Edufsc, 2007, e, Por uma questão de princípios, Boiteux, 2003.

Fonte : Aleitamento.com

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