Embora esses números sejam mais baixos do que eram há uma geração, está evidente que continua sendo uma forte norma cultural em boa parte do mundo ocidental a mulher usar o sobrenome do esposo ao casar — apesar dos tempos mais individualistas e igualitários em questões de gênero.

Nos EUA, a maioria das mulheres adota o sobrenome do marido ao casar — cerca de 70%, de acordo com uma das maiores pesquisas recentes sobre o assunto.

Para as mulheres britânicas, o número é de quase 90%, de acordo com uma pesquisa de 2016, com cerca de 85% das pessoas entre 18 e 30 anos ainda seguindo a prática.

“É surpreendente [tantas mulheres adotarem o nome de homem], já que isso que vem da história patriarcal, da ideia de que uma mulher, com o casamento, passou a ser um bem do homem”, diz Simon Duncan, professor da Universidade de Bradford, Reino Unido, que estuda vida familiar e tem pesquisado especificamente a adoção de sobrenomes dos homens.

Ele descreve a tradição como “arraigada” na maioria dos países de língua inglesa, embora o conceito de “possuir” esposas tenha sido abandonado há mais de um século na Grã-Bretanha.

Mas, qual o motivo então?

Existem, é claro, vários motivos particulares pelos quais uma mulher pode querer deixar seu nome de solteira, desde não gostar de como ele soa até querer se dissociar de membros ausentes ou abusivos da família.

Mas, por meio de uma revisão dos estudos já feitos e de entrevistas detalhadas com casais recém-casados e noivos no Reino Unido e na Noruega, a equipe de Duncan identificou duas motivações principais que impulsionam a tradição.

A primeira foi a persistência do poder patriarcal, fosse isso óbvio para os casais ou não. A segunda, o ideal da “boa família” — como se ter o mesmo nome do parceiro simbolizasse compromisso e unisse o casal e filhos em potencial como uma coisa só.

A pesquisa da equipe sugere que a mudança de sobrenome das mulheres está, sem surpresa, ligada à sobrevivência de outras tradições patriarcais, como pais dando permissão a noivas e homens sendo mais propensos a pedir em casamento. Esses elementos, diz Duncan, passaram a fazer parte do “pacote de casamento” ideal para muitos casais.

A segunda tendência central observada pela equipe de Duncan é mais sobre as percepções sociais. Eles concluíram que assumir o nome de um parceiro continua sendo visto como uma forma de mostrar seu compromisso e união para os outros.

Cadê o feminismo ?

Estudiosas e estudiosos estão divididos sobre o papel da mudança de nome em um cenário de esforços para alcançar a igualdade de gênero.

Outro argumento é que o feminismo trata basicamente de dar às mulheres liberdade de escolha.

Isso significa que, desde que eles possam decidir por si mesmas, sem pressões externas, o nome que querem, não deve importar se isso está de acordo ou vai contra as normas patriarcais.

O quão prevalente esta tradição será no futuro é um debate acalorado entre os pesquisadores.

Há pouca pesquisa acadêmica prevendo isso, embora haja sinais de que — apesar do lento progresso até agora — tanto mulheres quanto homens estão se tornando cada vez mais abertos a alternativas.

Fonte : BBC

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