O novo coronavírus, descoberto em dezembro de 2019, recebeu o nome de SARS-CoV-2 (sigla do inglês que significa coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave), cuja doença recebeu a denominação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de COVID-19 (do inglês coronavírus disease 19).

Este vírus surgiu inicialmente em Wuhan na China, disseminando-se por todo o mundo e já se constitui um dos grandes desafios a ser enfrentado por todos nós.
O rápido conhecimento a respeito da infecção, que chega a ser quase que instantâneo, deve-se em muito aos pesquisadores chineses em parceria com cientistas de outros países do mundo.
Conforme os dados da OMS, até 19 de março de 2020, 209.839 casos da doença foram confirmados no mundo, destes, mais de 80.000 na China e mais de 35.000 na Itália. A todo o momento estes números aumentam e são atualizados.
A letalidade global está em torno de 4%.

As características de 44.672 casos confirmados na China foram descritas em uma publicação recente de março de 2020. Entre estes casos, a maioria tinha entre 30 e 79 anos de idade (86,6%) e foi considerada com manifestações clínicas leves (80,9%). As crianças de 0 a 9 anos de idade somaram 416 casos (0,9%), nenhuma tendo evoluído para óbito; e de 10 a 19 anos, 549 casos (1,2%), com apenas 1 óbito (0,1%) de um adolescente de 13 anos de idade, não sendo mencionadas as características desse caso.
Em uma série de 2.143 pacientes pediátricos ocorridos também na China, 731 apresentaram confirmação laboratorial da infecção pelo SARS-CoV-2, dos quais 97% eram assintomáticos, tinham sintomas leves ou moderados.

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Risco de uma criança ficar doente com o SARS-CoV-2

Um estudo publicado no início de março de 2020, sugere que as crianças são tão propensas a se infectarem quanto os adultos, mas apresentam menos sintomas ou risco de desenvolver doença grave. Como a maioria das crianças infectadas não apresenta sintomas ou os sintomas são menos graves, os testes diagnósticos não são realizados em muitos casos, fazendo com que o número real de crianças infectadas seja subestimado. A importância das crianças na cadeia de transmissão do vírus permanece incerta.

Fonte de infecção para a criança

A maioria dos relatos de crianças infectadas pelo SARS-CoV-2 demonstra um contato familiar com diagnóstico comprovado da infecção. Entre as infectadas na China, em 82% dos casos foi comprovado este contato domiciliar.
Período de incubação – tempo desde o momento que o SARS-CoV-2 é transmitido de uma pessoa para outra até aparecerem os sintomas – Entre 425 pacientes estudados na China a média do período de incubação foi de 5,2 dias (com intervalo
de confiança de 95% de 4,1 a 7,0 dias).
Outro estudo com 183 casos da doença, também na China, o período de incubação médio foi de 4,8 dias (com intervalo de confiança de 95% de 4,2 a 5,4 dias).
Com isso podemos inferir que o período de incubação é em média de 5 dias, sendo raramente constatados períodos de até 2 semanas.

Sintomas da infecção na criança

Os sintomas são os comuns de uma síndrome gripal, como febre, tosse, congestão nasal, coriza, dor de garganta, mas também podem ocorrer aumento da frequência respiratória, sibilos (chiado) e pneumonia. Os sintomas gastrointestinais como vômitos e diarreia podem ocorrer, sendo mais comuns em crianças do que em adultos. Na série mencionada anteriormente, de 731 crianças com infecção comprovada na China, 94 (12,9%) eram assintomáticas e 315 (43,1%) apresentavam sintomas leves.
Entretanto, em 300 crianças (41,0%) as manifestações foram moderadas e em 18 (2,5%) graves.

Prevenção da infecção por SARS-CoV-2 na criança

Este é um bom momento para ensinar as crianças a fazerem as mesmas coisas que todos devem fazer para se manterem saudáveis:
• Higienizar as mãos com frequência usando água e sabão em quantidade suficiente e de maneira adequada (40 a 60 segundos, entre os dedos, palma e dorso das mãos, esfregar as unhas, estendendo a lavação até os punhos) ou, caso não seja possível lavar as mãos em algumas situações, utilizar preparações alcoólicas a 70%;
• Limpar e desinfetar diariamente as superfícies de toque frequente nas áreas comuns da casa (por exemplo, mesas, cadeiras de encosto alto, maçanetas, interruptores de luz, controles remotos, banheiros, pias, etc.);
• Limpar e desinfetar com frequência as telas, em especial de telefones celulares, tablets e computadores;
• Lavar objetos e brinquedos, incluindo os de pelúcia laváveis;
• Evitar contato com pessoas doentes (que estejam com algum sintoma como tosse, espirros ou febre);
• Manter distância de outras pessoas;
• Permanecer em casa o máximo possível, evitando locais públicos onde é provável o contato próximo;
• Manter os ambientes bem ventilados com janelas abertas;
• Ensinar as crianças a tossirem e espirrarem em um lenço de papel (o qual deve ser jogado fora após cada uso e as mãos lavadas de maneira adequada);
• Caso na hora da tosse ou espirro não tiver disponível um lenço de papel, tossir e espirrar no
braço ou cotovelo, não nas mãos;
• Orientar as crianças a evitarem tocar o rosto;
• Evitar viagens.

Uso de máscaras para a criança

Se a criança estiver saudável, não há necessidade de usar máscara facial. Somente as pessoas que apresentam sintomas da doença ou que prestam assistência àqueles doentes devem usar máscaras.

Conduta quando alguém da família estiver com COVID-19

• As pessoas que estão com doença leve devem ficar isoladas em casa;
• Separar o membro da família com COVID-19 dos outros, tanto quanto possível;
• A pessoa com o vírus deve ficar em um quarto separado e longe de outras pessoas da casa, sempre que possível;
• Idealmente, deve usar um banheiro separado, se disponível. Caso não seja possível, separar toalhas e higienizar o banheiro após o uso da pessoa infectada;
• Não esquecer de manter os ambientes bem ventilados com janelas abertas;
• Limitar as visitas em casa;
• Evitar o contato com animais de estimação. Isso inclui acariciar, aconchegar, ser beijado ou lambido;
• Telefonar antes para programar consultas médicas, quando necessárias. Isso ajudará os serviços a tomarem medidas para impedir que outras pessoas sejam infectadas ou expostas;
• As pessoas com sintomas de COVID-19 devem usar máscaras quando tiverem contato com outras pessoas;
• Evitar compartilhar itens domésticos pessoais. Não compartilhar pratos, copos, xícaras, utensílios de cozinha, toalhas ou roupas de cama. Depois de usar esses itens, eles devem ser lavados cuidadosamente com água e sabão;
• Limpeza extra para todas as superfícies de alto toque. Inclui balcões, mesas, maçanetas, louças,
banheiros, telefones, teclados, tablets e mesas de cabeceira;
• Limpar também todas as superfícies que possam ter sangue, fezes ou fluidos corporais;
• Monitorar os sintomas e contactar imediatamente o médico se a doença piorar.

Conversando com crianças sobre o SARS-CoV-2

• Orientar a não acreditar em tudo que ouvem ou recebem pelas redes sociais. Filtrar as informações e conversar com as crianças de uma maneira que elas possam entender;
• Tranquilizá-las;
• Lembrar que os pesquisadores e médicos estão aprendendo o máximo que podem e o mais rápido possível sobre o vírus e estão tomando medidas para manter todos em segurança;
• É um ótimo momento para lembrar às crianças o que elas podem fazer para ajudar, adotando as medidas de prevenção citadas anteriormente;
• Prestar atenção nos sinais de ansiedade. As crianças podem não ter palavras para expressar sua preocupação, mas você pode ver sinais disso;
• Manter a segurança e tentar manter suas rotinas normais;
• Monitorar a mídia, mantendo as crianças afastadas de imagens assustadoras que possam ver na TV, mídia social, computadores etc;
• Conversar sobre o que estão ouvindo no noticiário e corrigir qualquer informação incorreta ou boato;
• Ser um bom exemplo para as crianças.

Amamentação

À luz dos conhecimentos atuais o SARS-CoV-2 não foi detectado no leite materno. Se a mãe estiver infectada pelo vírus pode amamentar seu bebê desde que utilize máscara facial e proceda a correta higienização das mãos e vestuário.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

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