Antônio, que tem deficiência visual e vive em situação de rua, deu entrada em pronto-socorro após ser atropelado. A cachorra chorou, latiu e arranhou a porta da emergência até poder ir até o dono e ficar com ele.

Essa história não está na lista das principais notícias do dia, mas vale cada segundo da sua atenção. É sobre um homem de 48 anos, com deficiência visual, que procura um hospital, com dor, seis horas depois de ser atropelado, e a Lucimara, separada dele.

5 1 - Viralata de rua comove e Hospital libera pela 1ª vez um cão a entrar no Pronto Socorro

“Foi a primeira vez que a gente viu um cachorro chorando na porta da emergência da maneira que ela estava. Arranhando a porta da emergência, chorando, latindo bastante. Isso foi o que desencadeou toda a preocupação: o que é que está acontecendo?”, conta Fábio Agostini do Amaral Gomes, gestor do serviço de Emergência da Santa Casa.

Aflição na porta de pronto-socorro não é coisa rara de se ver, mas, naquela manhã de sábado (5), ela chamava a atenção. Focinho entre as portas, atrás do cheiro do dono. “Aí a equipe teve uma ideia de pegar uma peça de roupa do paciente e colocar junto ao cachorrinho. Isso acalmou, mas não foi o suficiente”, relembra Fábio.

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“Eu fui a médica que veio trazer a ração para a Lucimara. No momento que eu cheguei, ela estava apática, ela não queria contato com nada. A impressão que dava era: ‘O que é que vocês estão fazendo? Onde está o meu tutor?’”, recorda a médica Cárlei Heckert Godinho.

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A cachorra então ganhou coleira de visitante. É que Lucimara é uma vira-lata com uma missão: guiar o seu dono que enxerga com dificuldade e, assim, ela pode atravessar os corredores lotados do PS como quem sabia exatamente aonde ir.

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“Foi bem emocionante. A equipe inteira ficou super feliz. No meio de tanta dificuldade que a gente passa, ter presenciado isso e proporcionado um alívio para o animal, para o dono do animal e para a gente também”, diz Fábio.

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“O bem-estar do paciente na nossa rotina é administrar um medicamento para aliviar a dor, é fazer um procedimento para que aquela doença melhore. Mas, naquele momento, a presença de um cachorro fez com que houvesse uma mudança na percepção de saúde do paciente. Uma lição do que o amor é capaz de fazer”, define a médica.

Quarenta e oito horas depois de chegar à Santa Casa, o paciente foi levado do pronto-socorro com a acompanhante no colo. Na porta do hospital, ele levantou da cadeira de rodas, ainda com dor, mas praticamente recuperado e saiu.

Antônio vive entre as 30 mil pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. Uma população que só cresce. O último Censo na capital mapeou 6.007 pontos de moradias improvisadas. Então, onde ele está, a reportagem do Jornal Nacional não conseguiu descobrir. Mas dá para dizer, quase com certeza, que ele não está sozinho.

Confira o vídeo do encontro:

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